quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Frequento vários médicos, mas juro que não sou hipocondríaco. Infelizmente sempre tenho algum problema. Talvez seja loucura, pois tomo remédios controlados. Daqui algum tempo vou fazer concursos públicos e concorrer por cotas. Mas não é disso que quer falar. Pretendo falar das “literaturas de consultório”. Nunca fui em um médico que na sala de espera esteja a disposição dos pacientes bons livros ou revistas atualizadas que não sejam de fofocas.
O que encontro? Encontro revistas velhas que só retratam a vida de celebridades. O que eu ganho em ler isso? Além de, não conter nada útil, são completamente desatualizadas. É, penso que estas revistas estejam lá porque a maioria dos pacientes as preferem. Quem sou eu pra descordar? Não devo gostar porque sou louco, doente.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A realidade é dura

Depois de quatro dias fora, fora da rotina, sem atender celular, sem acessar internet, sem ler jornais, nem olhar o noticiário. Foram quatro dias apenas dormindo, escutando música, lendo, ouvindo o canto dos pássaros, o mugido das vacas e o latir dos cães. Quando foi proporcionada essa viagem, fiquei um pouco se vontade, afinas sairia da minha rotina, viveria coisas diferentes do que eu estou acostumado. Depois de um dia sem horários, sem preocupações, sem acessar o email percebi que eu estava mergulhando em um mar de sensações novas e maravilhosas. Como é complicado a tal rotina. Percebi como as pessoas urbanas, pelo menos eu, são escravas. Escravas do relógio, escravas do computador, escravas de si mesmas.
Então, foram quatro dias de descanso, quis começar o ano em uma espécie de retiro. E funcionou. Me retirei de Santa Maria e do contato com o mundo. Hoje estou de volta. Já acessei email, já li jornais, nas principais páginas trazem as comemorações da virada de ano, as esperanças de um ano novo melhor. Também, li que Santa Maria está de prefeito novo. Com isso, lembrei que eu estava de volta à realidade, que a minha cidade não é mais a mesma. Assim, desejei voltar ao meu retiro, mas já é tarde demais. Então, cheguei a pensar que eu morri e, agora, estou no inferno, não, o inferno seria bem melhor que viver em uma cidade governada por Cezar Schirmer. Lá, pelo menos, eu teria bons companheiros e companheiras para chorar e beber. É a realidade é dura.
Quem me conhece sabe, prefiro ler que escrever. Isso não significa que eu não goste de escrever, é só uma preferência. Talvez esse seja um dos motivos da demora para atualizar esse blog. Hoje eu estava vindo para Santo Ângelo, no carro peguei uma obra para ler, não com o intuito de passar a viagem mais rápida, meu objetivo mesmo era viajar. Peguei para ler algumas crônicas, que ainda faltavam eu ler, de Pequena Epifanias de Caio Fernando Abreu. Nestes textos pude perceber, mais uma vez, a magia de Caio F.
Às vezes me pergunto, o que seria de mim sem as obras literárias? A vida já é amarga por si só, a realidade já é dura. Então, o que seria de mim sem poder viajar, conhecer lugares, vidas, amores, encontros e desencontros mesmo que inverossímeis? A literatura me permite coisas que a realidade não me permite, realizo sonhos que a vida real nunca me proporcionaria. Por isso leio. Leio como se fosse uma oração cotidiana, como um ritual. Leitura é leitura. Só assim consigo viver a realidade.

domingo, 30 de novembro de 2008

Um domingo diferente

Ruy acorda com uma sensação diferente. Acorda com o sol de domingo entrando pela janela e ofuscando o seu rosto. Ruy sabe que não será um domingo como os outros, porém não sabe o motivo. Talvez seja uma virose, excesso de vinho na noite anterior, talvez cheirou mais carreiras do que estava acostumado.
Era uma sensação estranha, uma nostalgia, dor no corpo, vontade de chorar. Ruy tenta dormir mais um pouco, não consegue. Levanta, fuma seu cigarro matinal, percebe que o cinzeiro está cheio. Vai até a janela e olha o sol lá fora. Ninguém na rua. Passam poucos carros. Então, Ruy decide sair para caminhar pelas ruas desertas. Ao caminhar e contemplar a paisagem que, na verdade, não são paisagens, são prédios velhos, pichados, sujos.
Ruy lembra-se que tinha brigado com seus amigos na sexta-feira, por que? Nem ele sabe, essas brigas bobas mas que geram desconfianças, mal estar e um pouco de pena e arrependimentos. Mas brigou, agora já é tarde. Talvez o domingo seria diferente por ter esses sentimentos. Mas agora resta caminhar e voltar, quem sabe fumar um baseado, cheirar mais carreiras e alucinar. Pois, há momentos em que a alucinação é a salvação.

sábado, 8 de novembro de 2008

Enquanto minha vida pode acabar, o mundo segue.

domingo, 26 de outubro de 2008

Catarina


Cataria acorda, fuma seu cigarro matinal, vai até a sacada. O sol lá fora começa a mostrar os seus primeiros raios. Ainda é cedo, liga o som, pensa no que vai escutar, revira seus discos até que encontra Ângela Ro Ro. Escuta esse som, fuma mais um cigarro. Não sabe o que fazer. Sente falta de alguém, alguém que a entenda, que saiba de seus sentimentos.
Cataria sente uma sensação estranha, uma angustia? Ânsia de vômito? Não sabe. Olha no relógio e ainda são 7 horas da manhã. Pega Caio Fernando Abreu. Mistura perfeita: Solidão, Ângela Ro Ro e Caio F.
Precisa de algo mais, mais um cigarro? Não, algo mais forte. Catarina, então, vai até a gaveta da cômoda e pega as suas 50gramas de cocaína. Cheira a primeira carreira. É pouco, pensa ela. Cheira mais outra, mais. Catarina não está mais sozinha. Vê pessoas, escuta vozes. Catarina acorda e vê coisas estranhas. Chega um homem e diz: - Você está no hospital, teve uma over. Catarina pensou, valeu apena, não estou mais sozinha.

sábado, 25 de outubro de 2008

Como já dizia o poeta “vida louca......vidaaaaaaaa”. Assim, vamos indo com derrotas, conquistas. Foi assim, três meses de muita discussão, ouvindo pessoas, conhecendo realidades, sonhos e vidas. Não saí dessa eleição derrotado, foi o pleito em que mais eu andei, pude conhecer novos lugares, novas situações. Já sinto saudades das concentrações no Café Cristal, das Cevas, de bater em porta em porta e ouvir. Aprendi que escutar é muito melhor do que falar. Sentir os problemas da população é se interar e ver que os nossos problemas são mínimos em relação aos dos outros.Assim, é a vida. Não perdi, ganhei. Saí mais humano, mais compreensivo.