domingo, 22 de fevereiro de 2009

Feliz Ano Velho


Essa semana tive o prazer de ler Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva. É uma obra incrível, pois de maneira poética, o autor consegue transmitir os dramas do acidente que o deixou paraplégico. Claro, é um livro autobiográfico, mas nem por isso deixa de ter um caráter incrivelmente literário.
Uma escrita fácil, com vocabulário acessível, isso se comprova porque até eu consegui ler e entender a história do Marcelo Rubens Paiva, em dois dias. São quase 300 páginas. Tirando a parte literária que é bela, entrando na vida do autor não dá pra deixar a crítica de lado. Embora tenha sido complicado a adaptação do autor a vida de paraplégico, parece que as coisas se tornaram mas fáceis. Isso se dá também pela classe social do acidentado. Pois, é mais fácil (pelo menos parece) para um jovem de classe média se adaptar a paraplegia do que um jovem pobre, com mãe doméstica morador de uma favela. Pois, Marcelo Rubens Paiva teve acesso aos melhores médicos, profissionais, clínicas além dos seus amigos burgueses que usufruíam de carros e festas badaladas. É óbvio que é triste um jovem que levava uma vida agitada ter que se adaptar a uma espécie de prisão. Mas, ainda acredito, que é mais fácil.
Além disso, para mim a obra teve um significado importante, pois, de uma maneira simples, é relatada pelo autor a criação do meu partido político, o Partido dos Trabalhadores. Ainda, é possível vermos como funcionava o movimento estudantil na década de 80.
Como já disse, é uma excelente obra, fácil de ler, com vocabulário simples até demais, além de uma história interessante que prende o leitor. Achei interessante ver como é retratada a tragédia do ponto de vista da classe média brasileira. O ruim que nem todos os jovens que, chapados e bêbados, que se dão ao luxo de pular em um lago têm as mesmas condições que o autor de Feliz Ano Velho. Mas isso faz parte da desigualdade do nosso país. Assim, até a tragédia para os pobres é mais trágica ainda. Só a minha humilde opinião.
Fica a indicação de uma ótima obra da década de 80.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Hoje enquanto assistia o noticiário, vi que os militares santa-marienses fizeram uma corrida pela paz. Nossa, quanta ajuda para construção de um outro mundo. Achei absurdo, centenas de homens correndo pelas ruas da cidade, segundo seus comandantes o objetivo era trazer a paz.

Chega ser intrigante, justo os militares que tantas mortes ocasionaram, a mesma instituição que espancou, matou, destruiu famílias, hoje corre em busca de paz. Além do passado mostrar que o exército brasileiro fez tudo, menos a busca pela paz. Mas tudo para manter a “ordem” da nação.

Ainda, com uma corrida é possível construir um mundo melhor? O que estes homens fizeram para mudar nossa sociedade com uma corrida? É, não vejo lógica nisso. Se o mundo mudar com corrida, me avisem, que largo minha vida sedentária e começo a correr agora mesmo.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Jorge Amado


Ontem terminei de ler Mar Morto, de Jorge Amado. Não sou muito acostumado a ler as obras do escritor baiano. Já tinha lido Terras do Sem Fim, mas a razão da leitura tinha sido a indicação de leitura obrigatória para o vestibular, embora tivesse lido quase que obrigatoriamente, tinha sido uma leitura muito interessante.
Sempre tive preconceitos quanto ao mestre Jorge Amado (desde ontem o chamo de mestre), pois escuta as pessoas, inclusive professores, dizerem que o baiano só falava, em seu livros das putas da Bahia. Hoje entendo que além de uma ignorância enorme em simplificar a obra deste autor, as pessoas que dizem isso transpiram preconceitos e insensibilidade. Pois ao ler Mar Morto pude perceber a grandeza e a riqueza deste romance. Pois, Jorge Amado, define a vida, os costumes e a cultura do pescador baiano com um maestria incrível. A obra vai muito além do romance entre Guma e Lívia, esta obra nos permite identificar um pouco sobre o povo brasileiro, sobre suas raízes e cultura. Na obra, é possível vermos o mar com os olhos diferentes, pois este é mostrado do ângulo do trabalhador, dos olhos de que precisa do mar para viver.
Ainda, nesta obra, é possível ver que os pescadores e cargueiros, não são meros escravos do mar, também tem suas religiosidades e suas crenças, assim transmitem os seus costumes aos filhos que chegam como um presente, seguindo a ordem do cais, quem nasce no cais, viverá sempre.
Então, recomendo a leitura de Mar Morto, para quem quer conhecer os costumes e um pouco do povo brasileiro através do tom poético de Jorge Amado.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Meus vizinhos não me deixaram ler.


São 22hs quero ler um pouco e depois assistir um filme. Deito-me para ler, consigo? Não. Meus vizinhos estão em festa, devem estar comemorando mais uma semana de treinamento militar na “Selva” santa-mariense. Tento ler, é praticamente impossível, pois o som não me deixa. Nunca escuto músicas altas aqui em casa, pois penso que meu gosto musical e minhas preferências são minhas, não preciso compartilhar com a vizinhança, além disso, acredito ser uma falta de respeito o som da minha casa invadir o espaço do vizinho. É, mas nem todas as pessoas pensam assim. Já são 23hs, ainda não consigo me concentrar. Tranco-me meu quarto, ligo um som ambiente, mesmo assim pare impossível conseguir fazer alguma coisa além de escutar os hits da dupla que está “bombando” no país, Victor e Léo. Agora, são 00hs, já escutei todas as músicas do CD. Detalhe, sem a minha vontade. Ainda não entendi o que há nessas músicas para fazerem tanto sucesso, mas em um país em que creu faz sucesso, músicas de Victor e Léo podem ser consideradas obras primas da nova MPB.
Ler parece algo impossível para um morador do Ed. Anísio Chaves, então o que fazer? Resolvo ir assistir um filme, o filme é em inglês, sem áudio em português, portanto necessito ler as legendas. Foi no momento que o filme começou que lembrei que era impossível ler, pois meus vizinhos continuavam em festa. Desisto do filme. Não tenho sono, mesmo que tivesse seria algo impossível sem a ajuda de um faixa preta (falo de um remédio). Pára o som, acho que a festa terminou, não começa as músicas novamente, dessa vez não é Victor e Léo, é algo que eu nunca tinha escutado, a letra da música só repete as mesmas coisas, algo como “estica, estica...”. Agora são 2hs, a festa continua, som alto, risadas. Escuto tudo o que acontece na casa deles. Bom, me resta ir para o computador e ver algumas fotos antigas, ver fotos é algo que eu consigo fazer mesmo com “estica, estica...”

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Carnaval de rua X CTGs

Segue a carta que enviei para o Diário de Santa Maria, mas que teve cortes.




É lamentável pessoas acharem que é bobagem a prefeitura disponibilizar recursos para o carnaval de rua de Santa Maria, pois o carnaval é a maior festa popular do Brasil. Além disso, o carnaval de rua é um meio de democratizar essa festa, pois permite que pessoas que não possuem condições de pagar um clube privado possam participar dos festejos. Mais lamentável, é pessoas acharem que a prefeitura deva repassar recursos a centros de tradições gaúchas, pois quem conhece um pouco a história do nosso estado, sabe que estes centros representam a estrutura elitizada do latifúndio. Ainda, há, nestes ambientes, a difusão de preconceitos, machismo e homofobia. Será que ambientes assim merecem recursos públicos? Ou entidades que democratizam a cultura brasileira e as manifestações populares?

Carnaval de rua X CTGs

Segue a carta que enviei para p Diário de Santa Maria, mas que teve cortes.

É lamentável pessoas acharem que é bobagem a prefeitura disponibilizar recursos para o carnaval de rua de Santa Maria, pois o carnaval é a maior festa popular do Brasil. Além disso, o carnaval de rua é um meio de democratizar essa festa, pois permite que pessoas que não possuem condições de pagar um clube privado possam participar dos festejos. Mais lamentável, é pessoas acharem que a prefeitura deva repassar recursos a centros de tradições gaúchas, pois quem conhece um pouco a história do nosso estado, sabe que estes centros representam a estrutura elitizada do latifúndio. Ainda, há, nestes ambientes, a difusão de preconceitos, machismo e homofobia. Será que ambientes assim merecem recursos públicos? Ou entidades que democratizam a cultura brasileira e as manifestações populares?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Frequento vários médicos, mas juro que não sou hipocondríaco. Infelizmente sempre tenho algum problema. Talvez seja loucura, pois tomo remédios controlados. Daqui algum tempo vou fazer concursos públicos e concorrer por cotas. Mas não é disso que quer falar. Pretendo falar das “literaturas de consultório”. Nunca fui em um médico que na sala de espera esteja a disposição dos pacientes bons livros ou revistas atualizadas que não sejam de fofocas.
O que encontro? Encontro revistas velhas que só retratam a vida de celebridades. O que eu ganho em ler isso? Além de, não conter nada útil, são completamente desatualizadas. É, penso que estas revistas estejam lá porque a maioria dos pacientes as preferem. Quem sou eu pra descordar? Não devo gostar porque sou louco, doente.