sábado, 19 de dezembro de 2009

O melhor dos presentes

            Ontem, fui em São Sepé, a cidade em que nasci e vivi durante 18 anos. O quanto e detesto aquele lugar já foi tema de textos aqui no blog, assim como as possíveis justificativas para tanto desafeto com uma cidade de 23 mil habitantes. Não falarei mal aqui novamente, escrevo esse texto para dizer que foi lá, em São Sepé, na noite de ontem, que recebi o meu presente – e mais valioso – presente de nata. Foi um abraço e um beijo sincero de uma criança.
            Fui à formatura da pré-escola da Samantha, minha prima. Quando cheguei ao local da cerimônia, recebi um lindo e apertado abraço. Sempre escutei dizerem que criança não mente, que é sincera sempre. Ontem comprovei. Pelo entusiasmo e pelo aperto em que a formanda apertou o seus pequenos braços nas minhas costas foi possível ver o quanto de amor e sinceridade há nos pequenos corações.
            Por isso, digo que valeu muito ter ido em São Sepé, valeu ter ido de ônibus após um dia de trabalho intenso. Reneguei e pensei em não ir, mas se tivesse recusado o convite, não teria recebido o melhor dos presentes, o abraço de uma criança. Nunca tive ânimo para brincar e prestar atenção nos pequenos seres, erro grave, pois são nestas criaturinhas que habitam os mais valiosos e verdadeiros sentimentos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Refém da tecnologia

            Hoje, facilmente nos comunicamos, são muitos os meios que fazem com que nos contatamos de qualquer lugar do mundo. Eu uso email, msn, googletalk, orkut, twitter, celular... Confesso que às vezes me irrito com tudo isso. Vejo que, a cada dia, minha privacidade diminui, sinto-me como refém destas tecnologias – ditas meio de comunicação – porém, parece impossível me desfazer, ao contrário, todos os anos crio um perfil em algum destes currais eletrônicos.  É o preço da vida moderna. Sinto vontade de terminar com tudo, desligar o celular, nunca mais abrir minha caixa de email (esta é a pior, pois pertenço a várias listas, então recebo mais de 100 mensagens por dia), porém penso como vou ficar sabendo se algum amigo está precisando de algo? Como me contatarão para algum serviço (terrível ser freela)? Como terei notícias de amigos distantes? Pois, até para marcar uma cerveja no boteco mais próximo me chamam por estes meios.
           
            Não suporto tanto isso, mas me obrigo a olhar esses mecanismos diariamente, se não os faço, fico com a sensação de que estou perdendo algo. Não fiquei sabendo de algo importante. Até, porque muitas pessoas me exigem que faça isso, já que email é a forma mais eficiente – rápida – barata (hã?) do século XXI.

            Ao mesmo tempo em que reclamo e uso esses sórdidos meios de comunicação, penso como minha mãe fazia para ter notícias da família a mais de 500 km de distância há 35 anos atrás? Nunca obtive essa resposta de maneira concreta, acho que nem ela, a minha mãe, sabe responder.  É o capitalismo ditando regras, são as novidades da nova era que me fazem perder, no mínimo, uma hora diária checando mensagens que surgem na tela do computador.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Uma injusta partida

Ontem, quando abri um jornal local, de Santa Maria, levei um susto, pois li que uma ex-vizinha tinha morrido vítima de um acidente de trânsito. Não era nenhuma amiga, apenas uma ex-vizinha. Entretanto, quando moramos perto, foi possível a conhecer e ver que era uma pessoa dinâmica e sempre bem humorada. Era daquelas pessoas que mesmo em uma segunda-feira de 0º, às 6hs te deseja um bom dia e abre um lindo sorriso.
            Ainda, logo que passei no vestibular para letras, ela me falou “sei que nem deve pensar em entrar numa sala de aula ainda, mas quando entrar, não esqueça que antes de alunos, os seres que te olham são pessoas e seres humanos.” Dessa maneira, nem idéia sobre educação eu tinha, hoje reflito que ela não era uma simples professora, era uma educadora comprometida em plantar na sala de aula uma semente transformadora do mundo.
            É, a Flávia partiu como várias outras pessoas boas e construtoras. Fica a lembrança de uma pessoa bonita, ativa, apaixonada por educação, protetora de animais e da natureza. Lembrarei sempre, ela foi a primeira pessoa que me mostrou o papel principal de um educador-professor: respeitar os educandos, pois estes são seres humanos.
           

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            Com isso, fica a dica de aproveitar sempre cada momento, inclusive os ruins, tentarei reclamar menos, pois a Flávia retornava de uma atividade da escola e não chegou em casa. São os mistérios da vida, os cristão dizem que deus chama as pessoas boas. Por que elas não ficam na terra???

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Natal, a data do consumismo



Ontem, enquanto almoçava no shopping, vi uma família sorteando amigo secreto, como estavam muito perto de mim, não pude deixar de ouvir os diálogos. A discussão era, não poderiam ser presentes “bagaceiros”, o valor mínimo seria de R$ 100,00. Entro no elevador, do de cara com o símbolo-personagem que melhor represente o capitalismo no nata. O Papai Noel. O bom é que algumas pessoas conseguem empregos temporários nessa época do anos, inclusive o senhor que se vestia de bom velhinho. Mas a reflexão é a seguinte, há crianças que pedem para o Papai Noel computador, bicicleta, videogame, ipod.... Outras pedem um prato de comida para a noite da ceia. São contrastes enormes. Alguns recebem presentes, outros nem comida terão na noite de 25 de dezembro. Não monto árvore, nem presépio. Detesto todos esses enfeites, mas convivo com tudo isso, pois é preciso. O que o natal representa??? Os católicos dizem ser o nascimento de cristo, o mesmo que foi parido em uma manjedoura. Seria a data da reflexão, da simplicidade, entretanto nem os católicos fazem isso. É a data máxima do consumo, o momento dos maiores gastos, e, com certeza, o momento em que as desigualdades mais gritam. É o momento em que o Papai Noel não virá para todas as crianças e como explicar para as que farão o pedido e nada receberão?!  Acredito que esse deveria ser o momento de pensarmos um pouco mais, ver o que realmente é o Natal, se é que esse existe. Vejo que nem todos compartilharão da minha opinião, mas fica o repudio a data do consumismo. 

domingo, 13 de dezembro de 2009

Esses dias, enquanto tomava chimarrão com uma amiga no parque Itaimbé, conversávamos sobre as coisas que nossos pais dizem para NÃO FAZERMOS e acabamos fazendo. No meu caso, são muitas. Sempre escutei minha mãe dizer “não dorme tarde”, “não dorme até tarde”, “aproveita o dia, o sol”, “não beba “não fume”, “não se relacione com dependentes químicos”, “não tome cerveja em copo de estranhos”, “não faça amizades virtuais”, “não ande sozinho na madrugada”, “não fique horas na frente do computados”, “não...........”
            Fiz tudo isso que listei e outras coisas que não citarei aqui. Embora tenha feito tudo isso, sobrevivi. Penso que se eu seguisse todos os conselhos de minha mãe seria muito infeliz. Não a julgo, ela faz e diz essas coisas para o meu melhor, entretanto acredito que só eu saiba o que realmente seja o meu melhor. Pode ser puro egoísmo meu, penso ser síndrome de filho único.
            Já refleti muito, mas como viveria sem fazer tudo isso??? Certamente, não viveria. Seria infeliz, aproveitaria muito pouco a minha humilde vidinha. Não imagino sentir prazer sem correr riscos (esses nem são enormes). Então, continuarei “concordando” com a minha mãe, já que não tenho o direito de frustrá-la, da mesma forma que continuarei vivendo da maneira que acho ser a melhor, pois a minha vida nem é tão louca assim.
            

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Práxis 10 Anos








 Do latim, ação, Práxis é a luta constante pelo acesso à educação- é a prática - através de grupos de formação empenhados em criar possibilidades e práticas próprias de uma educação de caráter popular. É um trabalho recíproco desenvolvido entre educando e educador.  Criado há 10 anos, por iniciativa de acadêmicos e trabalhadores com objetivos em comum, o Práxis tem o intuito de aproximar universidade e comunidade por meio do movimento estudantil. O Coletivo de Educação Popular já dialogou com mais de 800 educandos e cerca de metade disso foi número de educadores. Essas pessoas que a cada ano passam pelo Projeto contribuem com sua experiência, e são essas experiências que se unem e constituem o Coletivo. São trabalhadores, estudantes e movimentos sociais, gente nova e gente experiente. É a diversidade de culturas, de opiniões, de personalidades que movimentam o Projeto, proporcionando reflexões novas e busca de soluções. Esses 10 anos de luta merecem uma comemoração à altura. Por isso, convidamos vocês, integrantes da atual gestão, das gestões passadas e pessoas que acreditam em nossa luta, a participarem das atividades comemorativas aos 10 anos do Projeto.


A programação acontece nos dias 10 e 11 de dezembro, com as seguintes atividades:


10 de dezembro: 19hs - Debate Educação Popular e desafios. Professores Paulo Aukar e Diorge konrad. Local: 4º Andar do Prédio de Apoio Didático e Comunitário da UFSM.


11 de dezembro: 19hs - Debate Educação Popular e Movimentos Sociais. Educadores do Práxis e CMS. Local: 4º Andar do Prédio de Apoio Didático e Comunitário da UFSM.


22hs – Festa comemorativa aos 10 anos do Práxis. Local: Catacumba – DCE.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Mais uma vez esse blog criou teia de aranha, mofou. Agora se eu justificar a falta de atualização por falta de tempo é verdade. Meu novo-temporário emprego me consumiu dias e horas de sono. Foram muitas horas corrigindo textos. Ainda, viajai a outra cidade para dar aulas de redação. Eis aqui um post rápido, após o dia 18 tudo volta ao normal.
           
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            Esses dias, enquanto passava pela rua Venâncio Aires, centro de Santa Maria, uma cena me chamou a atenção e me fez refletir muito. Ali, perto da Rio Branco é o local em que uma senhora escolheu para morar. Ela mora na rua, embaixo da marquise de uma farmácia. Já foi contestada, tentaram tirar a mulher dali, mas ela se recusa. Escolheu a esquina do centro da cidade universitária como sua residência.
            Então, por ali, um homem que passava de carro atirou alguns papeis pela janela do carro. A senhora a qual me referia saiu atrás do poluidor. Ela dizia algo como “Jogue esse lixo na sua casa, não na casa dos outros”. “Suje a tua casa vagabundo relaxado”.
            Pensei, se a maioria da população tratasse as ruas da cidade como sendo as suas casas, teríamos bem menos sujeira. Não teríamos bueiros abarrotados de lixo, não teríamos um ar tão poluído. Com certeza, se tratássemos as ruas como nossas casas, a cidade seria mais bela.